Psycho-Pass [Anime Review]

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Já fazia um bom tempo que não encontrava um novo anime que pudesse me prender tanta a atenção. E, por acaso, achei o Psycho-Pass na página DeviantART de uma pessoa que eu sigo por lá. A princípio, achei as imagens dos personagens interessantes e, em seguida, resolvi assistir a alguns episódios só por curiosidade. No entanto, nunca imaginei que eu fosse gostar TANTO do anime a ponto de considerá-lo um de meus favoritos.

Já, de início, digo que Psycho-Pass possui uma história bastante envolvente (cada final de episódio sempre deixa um gostinho de “quero mais” <3), justamente por ter um enredo bem construído, e os conflitos sofridos pelos personagens são capazes de gerar boas reflexões. Eu defino o seu gênero como sendo policial, ação e cyberpunk. Além disso, se tratando de um anime de ação, os criadores de Psycho-Pass não poupam em cenas violentas.

 

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Psycho-Pass é produzido pela Production I.G, e estreou no dia 11 de outubro de 2012 na Fuji TV. Ao contrário da maioria dos animes, a série Psycho-Pass foi, na verdade, adaptada para mangá, que começou a ser publicado em 2 de novembro de 2012 na Jump Square, e ainda está em publicação. Até o momento, a série animada possui apenas uma temporada de 22 episódios – sendo que a próxima temporada está prevista para ir ao ar em outubro deste ano. O anime é dirigido por Naoyoshi Shiotani, enquanto o mangá é da autoria de Hikaru Miyoshi.

Sinopse: A história se passa no futuro, no Japão, em que é possível medir quantitativamente as emoções, desejos e todas qualidades de uma pessoa. Desta forma, também é possível medir o fator de tendência criminosa de um indivíduo, a qual é utilizada para julgar criminosos (o coeficiente das emoções que definem o caráter psíquico das pessoas é chamado de Psycho-Pass). Essa é a história de um time de policias dedicados a manter a ordem pública. Alguns deles trabalham na Divisão de Justiceiros, responsável pela apreensão de criminosos, enquanto outros pertencem a Divisão Supervisora, que supervisiona seus colegas Justiceiros (estes nada mais são que criminosos latentes, ou que apenas possui seu Psycho-Pass em um nível elevado, que tiveram uma segunda chance na sociedade, contribuindo com a polícia para deter outros criminosos).

 

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Sendo assim, no futuro, o princípio de que “todos são inocentes até que se prove o contrário” não se aplica. O julgamento é dado por um sistema (o Sistema Sibila ou Sibyl System) que analisa o estado mental das pessoas e as categoriza como potenciais criminosos ou não.  É dada também uma probabilidade de “cura”, de recuperação mental para esses indivíduos. No entanto, caso sejam classificados como irrecuperáveis, sua sentença pode ser a prisão ou a morte, mesmo que não tenham cometido crime nenhum. Como auxílio em suas investigações, a polícia usa um grupo de prisioneiros “especiais”, chamados Executores (Enforcers) – ou seja, o grupo de Justiceiros – para ajudá-los a capturar ou matar esses indivíduos “não mais necessários”. Os policiais utilizam uma arma especial, chamada Dominator – dotada de alta tecnologia, que só pode ser disparada quando o psycho-pass do alvo é identificado como alto.

O trailer da primeira temporada de Psycho-Pass pode ser conferido a seguir (CUIDADO: SPOILERS! :P).

 

Enfim, vamos à minha opinião: como mencionei anteriormente, o enredo é muito envolvente – já que a história se trata de um grupo de detetives, o cunho investigativo é muito forte e muito bem feito! Aliás, cada episódio da temporada não trata apenas de um caso em particular (sem querer soltar spoiler, mas todos eles estão conectados, naturalmente). Há vários vilões, mas há um antagonista principal que está por detrás de tudo de ruim que acontece. Além disso, os crimes são altamente bárbaros e sanguinários – a ponto de fazer a sua penalidade também não ser nada pacífica.

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Confesso que fiquei um pouco chocada com o teor de violência presente no anime, o que pode gerar certo tipo de desconforto no espectador. Aliás, ainda falando sobre os antagonistas, há um “verdadeiro vilão” na série que só é revelado nos episódios finais da temporada – e, certamente, muitos ficarão boquiabertos quando o descobrirem, assim como eu fiquei.

Porém, o que Psycho-Pass mais me cativou foram os conflitos vividos pelos personagens: o sentimento de pertencimento, as dúvidas em relação ao seu objetivo de vida, e até mesmo os conflitos com o sistema em que está inserido. A propósito, todos os vilões justificam suas ações pelo fato de se sentirem excluídos e esnobados pelo sistema que rege a nova ordem mundial (ou seja, aquela velha história: “eu sou mau porque o sistema no qual estou inserido me corrompeu”). Além disso, ao longo da história, outros personagens também começam a se questionar sobre suas próprias decisões tomadas até então.

É possível enxergar uma crítica subliminar ao uso da tecnologia avançada (e sua alienação), mais especificamente em relação à inteligência artificial – em que as ações humanas poderão ser completamente substituídas por máquinas.Também há uma crítica ao medo e insegurança da população, o que gera uma obsessão por criar um mundo perfeito, onde não haverá mais crimes. Porém, esta utopia tem um preço alto, o qual tira a privacidade dos cidadãos (que são monitorados 24 horas por câmeras de segurança, e precisam constantemente checar o nível de seu psycho-pass), além de perder o poder de livre arbítrio – uma vez que as ações para cada pessoa são definidas pelo poderoso Sibyl System.

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Sendo assim, é perceptível um cunho sociológico por trás do anime, principalmente em relação à questão do sentimento de pertencimento e exclusão, a alienação, os conflitos internos de cada personagem, e suas lutas contra o sistema que rege a sociedade .Aliás, alguns filósofos são citados na série, como Karl Marx, Max Weber e Michel Foucault. Ideias políticas também estão presentes – como, por exemplo, os ideais anarquistas, que determinados personagens são supostamente a favor, para criarem uma sociedade livre e autônoma para tomar suas próprias decisões.

Comparações à parte, o enredo nos traz algumas lembranças do livro “O Apanhador no Campo de Centeio”, e e os conflitos dos personagens e a forma como os mistérios são desvendados lembram levemente algumas passagens das séries House e Breaking Bad (Curiosamente, a série animada até me lembrou o “Exterminador do Futuro” também). Mas, uma analogia mais explícita é a do livro  “1984”, de George Orwell (que até chega a aparecer sendo lido por um personagem), nos mostrando um futuro imaginário onde se instala a distopia pela falta de ação humana – que, no caso, é substituída pelo senso de justiça do Sistema Sybil.

A trilha sonora também é boa: algumas vezes, faz uso da música clássica (o que combina assustadoramente bem com as cenas mais violentas), além do típico som tradicional japonês. No entanto, neste aspecto, o anime não ousa muito.

O último episódio da temporada que, ao mesmo tempo tenta fugir do esperado e do clichê,  também vai a essa mesma direção. O lado bom é que a decisão final não fica presa apenas a este episódio, pois ela vai sendo desenrolada nos episódios anteriores. Além disso, o seu final serve como um prelúdio para a próxima temporada, o que funcionou muito bem. No entanto, o fim não deixa de ser o ponto fraco do anime, pois poderia ter sido trabalhado melhor.

Agora vamos ver os principais personagens da série nesta primeira temporada (juro que tentarei não soltar spoilers :P)

 

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Akane Tsunemori: a protagonista feminina é uma Inspetora novata. Entrou para a polícia por suas excelentes notas, e ninguém obteve uma pontuação tão alta quanto a dela. Por isso, Akane acredita ser capaz de fazer algo que ninguém mais pode. No entanto, ela sofre uma crise interna de dúvidas, muitas vezes não sabendo ao certo se realmente fez a escolha certa. É uma garota gentil e altamente inteligente, e não acredita que existam pessoas “irrecuperáveis”.

 

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Shinya Kogami: é o protagonista masculino da série, e pertence ao grupo dos Justiceiros. No início, ele aparentemente é uma pessoa fria e distante. Com seu psycho-pass alto, é julgado como um criminoso latente. Porém, ele possui um exímio faro de detetive, seguindo suas intuições (que sempre estão certas), fazendo-o receber a admiração de vários, inclusive de sua superior, a Akane Tsunemori. Além disso, Kogami é um homem determinado a fazer justiça a qualquer custo.

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Nobuchika Ginoza: um Inspetor veterano que trabalha ao lado da Akane, e coordena todos os Justiceiros da Unidade 1. É um homem frio e muito comprometido com os seus deveres como Inspetor chefe. Devido à sua perspicácia e o seu comprometimento com o trabalho, Ginoza recebeu o respeito e confiança de seus superiores.

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Tomomi Masaoka: é o mais velho dos Justiceiros da Unidade 1. Ele é um veterano trabalhador e honesto, que orienta a jovem Akane sobre como funciona o sistema na Agência de Segurança Pública. Como um ex-detetive, seu desgosto pelo Sistema Sibila fez com que seu psycho-pass se deteriorasse, resultando em seu rebaixamento ao posto de Justiceiro.

 

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Shusei Kagari: também um Justiceiro da Unidade 1, Kagari foi detectado como criminoso latente quando ainda tinha cinco anos de idade. É brincalhão, que às vezes provoca a Akane, e assume ser um assassino de sangue-frio, não se importando com o mundo em que vive.

 

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Yayoi Kunizuka: é a única mulher no time dos Justiceiros da Unidade 1. Ela sempre permanece calma e serena mesmo diante dos crimes mais brutais.

 

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Shion Karanomori: é uma analista na Divisão Geral de Análise de Segurança Pública, e também é uma criminosa latente. Ela fornece apoio aos Justiceiros e Inspetores em suas investigações, analisando os dados e as provas enviadas por eles. É uma mulher sensual, meiga, às vezes brincalhona, e muito competente no que faz.

 

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Shōgo Makishima: é o antagonista principal da série. O homem que orquestrou vários assassinatos mostra ser uma pessoa intelectualizada, e comete barbaridades com muita  frieza e naturalidade. Possui grande rancor do Sistema Sibilia, o qual deseja destruir, para dar uma nova ordem à sua sociedade.

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E aqui vai algumas curiosidades: na criação da série, Katsuyuki Motohiro, o diretor chefe, permitiu que a equipe usasse os elementos originais desejados pelos criadores, mesmo que isso pudesse afastar o público feminino. Ele também sabia que a série era violenta demais para o público infantil, comentando que ele não queria seu filho assistisse ao anime devido a sua “brutalidade psicológica”. Os temas psicológicos foram baseados em Lupin III, que ele assistiu durante a sua infância.

A nova e segunda temporada está prevista para estrear em outubro deste ano (um teaser trailer pode ser conferido a seguir – MAS CUIDADO, PODE HAVER SPOILERS!. Além disso, há uma edição especial da primeira temporada com seus episódios em uma versão expandida – eu ainda não conferi, mas imagino que possa ser uma espécie de “versão mais sangrenta” do anime.

 

Por fim, aqui vai o meu veredicto final: eu super recomendo Psycho-Pass! E, quem gosta de temas policias e futuristas, certamente irá gostar bastante deste anime. Mas, como relatei, o nível de violência é alto, e às vezes pode até incomodar. Porém, o desenrolar da história é fascinante (ressalto principalmente o modo de como os mistérios são desvendados), sem falar de sua crítica social e política, além de outras questões científicas e psicológicas que nos fazem refletir após assistir a um episódio.

 

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